terça-feira, 10 de maio de 2016

O Fantástico Sr. Raposo - Roald Dahl

"Quero que saibam que, se não fosse o vosso pai, agora estávamos todos mortos. O vosso pai é um raposo fantástico."
'O Fantástico Sr. Raposo', Roald Dahl

Prendas que também são prendas para quem as oferece. Não é tão bom quando isso acontece? 'O Fantástico Sr. Raposo' é uma obra infantil que devia estar em todas as estantes do mundo, sejam crianças ou crianças grandes (todos o somos um bocadinho, mesmo que adultos). Por isso tenho-o na minha, emprestado, para quem o quiser folhear e sorrir em qualquer tarde chuvosa.

Obra do maior contador de histórias de todo o mundo, Roald Dahl, este pequeno e simples livro conta a história do Sr. Raposo, que vive com a sua mulher e os quatro filhos raposinhos debaixo da terra. Apenas sai do conforto da sua casa para se alimentar: rouba galinhas e outros alimentos das quintas dos maiores patifes da região: Boggis, Bunche e Bean. Ao quererem apanhá-lo em flagrante e destruir a sua família, o Sr. Raposo tem de ser mais rápido e inteligente do que eles, pelo que engendra um plano para os salvar.

Já conhecia a história do filme homónimo de Wes Anderson - o realizador que torna qualquer história sua e que no-la dá a conhecer com um filtro muito próprio. Não sendo exactamente igual, o episódio relatado por Dahl do Sr. Raposo é igualmente notável: deixa-nos com a sensação de que não podia ter acabado de outra forma, e que o Sr. Raposo é, realmente, fantástico.

Temos neste pequeno conto infantil os valores da família, da vitória do bem sobre o mal. Apesar de roubarem para se alimentarem, não são ladrões no verdadeiro e mau sentido da palavra. Fazem-no porque os donos das quintas o merecem, e porque é a única forma de sobreviverem - é a cadeia alimentar.

Como crianças grandes que somos, deixamo-nos levar na aventura do Sr. Raposo e dos quatro raposinhos em busca de uma solução para o novo problema: a perseguição dos três homens. Como fantástico que é, o Sr. Raposo tem sempre uma solução para tudo e consegue sempre orgulhar a sua família. E, mais do que isso até, quer sempre dar-se bem e ser bom com todas as espécies. Por isso o banquete final, com todos à mesa e uma alegria enorme por terem enganado a espécie humana, é o culminar desta emoção aventuresca que atravessa todo o conto.

Dahl é mesmo um dos melhores contadores de histórias de sempre, mas Quentin Blake não lhe fica atrás nas ilustrações que complementam o texto. O traço simples e belo que nos mostra, literalmente, as personagens que imaginamos nas palavras é uma forma ainda mais interessante de acompanharmos a história.

A inspiração, essa, vem certamente de Dahl. Os universos e as personagens que criou continuam a ser exemplos para todas as crianças que crescem a ouvir e a ler as suas histórias. Continuam a ser lições de vida, continuam a ficar na memória e a construir os princípios de quem as lê. Mesmo que já sejamos adultos aborrecidos com a vida quotidiana e que, de vez em quando, precisemos de nos refugiar nestas obras infantis que tanto nos fazem recordar a inocência da infância.

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