domingo, 9 de julho de 2017

Mary Poppins - P. L. Travers

"Mary Poppins disse: 'Ena!', que era a palavra que ela usava quando estava contente.
'Diacho!', disse o Homem dos Fósforos, que era o que ele costumava dizer nas mesmas circunstâncias."
Mary Poppins, P. L. Travers

Há algo especial em ler um livro infantil pela primeira vez quando já somos crescidos. Depois de quase esquecermos o que é ser criança, quando já quase deixámos de acreditar que é possível acreditar em coisas mágicas. Mary Poppins leva-nos de volta a este universo de fantasia que já não nos é tão familiar - e deixa-nos, novamente, com parte do coração abrilhantada pela sua passagem fugaz pelo nosso mundo quotidiano, adulto e aborrecido, onde esta magia pode passar por nós sem darmos por ela.

Mary Poppins chega com uma tempestade à casa dos Banks, onde começa a tomar conta das crianças da casa: Michael e Jane, os mais velhos, e os bebés gémeos Barbara e John. As crianças depressa percebem que a nova ama não é como as outras e afeiçoam-se à sua prontidão, à magia que parece fazer a toda a hora, até mesmo à sua aparente antipatia natural. Conhecem novos mundos que sem ela nunca teriam descoberto, bem como personagens inesquecíveis. Com ela vivem muitas aventuras e atravessam as suas fases de crescimento de forma bem mais divertida.

Quando Mary Poppins vai embora tal como chegou, com a tempestade, o que deixa para trás já não são as crianças rebeldes que ali encontrou. São meninos quase adolescentes, que começam a enfrentar o que crescer verdadeiramente significa. Que deixam um pouco para trás a inocência e a fantasia de ser criança, porque toda a gente sabe que quando os dentes começam a crescer os bebés deixam de ouvir o estorninho, o vento, as árvores e os raios de sol. Mas não têm de deixar de acreditar que o mundo que os rodeia é mais belo e fantástico do que aquilo que vêem à sua volta.

Depois de tantas adaptações e subversões da história original, não deixa de ser ainda mais especial perceber como Mary Poppins continua a ser uma personagem tão actual e inesquecível como o deverá ter sido para as crianças e os adultos que a leram pela primeira vez em 1934. Uma ama que, por mais introspectiva, assertiva e profissional que seja, colocava as suas crianças acima de tudo e sabia sempre qual o momento certo para continuar o seu caminho e deixá-las crescer.

E por muito que o filme da Disney seja diferente desta Mary Poppins de P. L. Travers - e é muito diferente da personagem que ela criara neste pequeno livro -, é um filme igualmente tão inesquecível que vê-lo continua a ser, também, uma experiência única e receptível quantas vezes se deseje!

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