sábado, 9 de abril de 2016

And Then There Were None - Agatha Christie

"It's not an accident - that's what I say. It's part and parcel of the whole business. It's all bound up together.
'And Then There Were None', Agatha Christie
Em 1939, tinha início a II Guerra Mundial e Agatha Christie colocava numa ilha quase deserta 10 indefesos "soldados" num dos mais conhecidos livros de mistério que escreveu. 'And Then There Were None" é um extraordinário exercício criativo de construção de uma assassínio em massa cujo assassino está no meio deles, mas não desliza uma única vez.

São 10 pessoas que não se conhecem, atraídas por motivos diversos para a Soldier Island por um misterioso U. N. Owen, que desconhecem também, e que não aparece para os receber. Depois de, no primeiro jantar na casa da ilha, todos serem acusados de contribuir para a morte de 10 outras pessoas sem serem julgados por isso, assistimos às suas mortes de acordo com um poema popular que descobriram nos seus quartos, até não sobrar nenhum para contar a história.

Agatha Christie é engenhosa na construção narrativa da história, dando-nos primeiro a conhecer as personagens, o que as levou até à ilha, e depois desconstruindo-as mostrando a existência ou ausência de culpa, a sua transformação com o medo, a coragem fictícia que aparentam e a frivolidade que torna algumas suspeitas de serem o assassino entre eles.

O que podia ser um simples espectáculo de mortes - e, até certo ponto, é isso que nos faz seguir atentamente a história - é um mistério muito bem criado em volta de um assassino impiedoso, cujo objectivo de matar todos os convidados é conhecido desde o início. No entanto, todos desconfiam uns dos outros; ainda que alguns pareçam, a certa altura, tornar-se amigos, esta desconfiança nunca desaparece. E na verdade nenhum deles sabe quem é o responsável por toda aquela encenação, ninguém consegue verdadeiramente descortinar o mistério.

Aos poucos, todos vão morrendo e deitando por água a suspeita de assassino que tinham em mente. E é nesta constante ignorância que vamos conhecendo melhor aquelas pessoas que alguém juntou para primeiro sentirem medo, depois culpa, e por fim pagarem pelo que fizeram a outras.

Nunca tinha lido nada de Agatha Christie e este thriller tão bem escrito e engenhoso foi uma óptima forma de a conhecer. A mulher inteligente, conhecedora de venenos, com uma mente quase perturbadoramente maquiavélica no que respeita à sua produção escrita, que aqui nos dá a conhecer o lado mais negro do ser humano e da sua existência.

Conquistou-me definitivamente, já. Pegar numa rima popular para criar uma história de morte e mistério é só espectacular. E a forma como o faz é uma facada no que acreditamos ser a bondade humana e na esperança que tentamos sempre ter nos outros.

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