terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Crónicas do Sul - Luis Sepúlveda

"A partir desta esperança, Michelle Bachelet tem todo o meu modesto apoio como escritor e chileno sem direitos. Mas esse apoio será sempre crítico, construtivamente crítico, porque assim aprendi com Salvador Allende, porque assim mo dita a minha cultura socialista".
'Crónicas do Sul', Luís Sepúlveda

Sepúlveda tem uma veia crítica muito afiada, tanto que nos leva por diversos temas, períodos históricos e histórias interessantes, sempre demonstrando a sua opinião sobre os assuntos. Maioritariamente político, este pequeno livro é uma compilação de crónicas sobre o Chile, os chilenos e todos os inimigos da sua pátria que a história devia esquecer - e, em caso de não conseguir fazê-lo, pelo menos relegar para um canto recôndito onde as suas acções possam ser fechadas a sete chaves e usadas apenas como exemplo negativo.

Pinochet, a esperança de um 'novo' país com Michelle Bachelet, a 'lata' dos Estados Unidos, a crueldade da França perante a imigração, a luta dos chilenos pelos seus direitos. Luís Sepúlveda escreve com a alma de quem viveu na pele a tirania de um dia fatídico, de quem sofreu e lutou para que se fizesse justiça. Nos capítulos que denomina "Carne de Blogue", a sua crítica é ainda mais feroz e as suas palavras tudo menos "vomitivas".

Fica o desejo de que estas crónicas de um Sul esquecido, mas lembrado quando dá jeito ao Norte, construíssem uma obra maior e ainda mais intensa do que estas cento e poucas páginas nos fazem viver. O estilo jornalístico torna-as muito simples de ler, com uma ponta de humor e ironia característicos e um amor imenso ao Chile que transborda para nós, atravessa verdadeiramente o Oceano. Sem dúvida um primeiro contacto maravilhoso com o autor, para um dia retomar em outras leituras.

"Sejamos solidários com os ladrões tradicionais do Chile, exijamos que todo o património do cartel dos Pinochet seja expropriado e devolvido e devolvido aos seus legítimos donos: os Chilenos. Assim, os nossos ladrões voltarão a sentir-se necessários, queridos, e porão de novo as suas máscaras, as suas luvas de camurça, os seus sapatos silenciosos, e voltarão a sair para roubar como deve acontecer num país civilizado."

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