sábado, 15 de outubro de 2016

The Mysterious Affair at Styles - Agatha Christie

"It is well. The bad moment has passed. Now all is arranged and classified. One must never permit confusion. The case is not clear yet - no. For it is of the most complicated! It puzzles me. Me, Hercule Poirot!"
'The Mysterious Affair at Styles', Agatha Christie

Há 100 anos, a Primeira Guerra Mundial assolava parte do mundo e Arthur Conan Doyle tinha já criado um dos detectives mais famosos da história dos policiais. Estava-se em 1916 e Agatha Christie escrevia a sua primeira obra, também a primeira para a sua personagem mais carismática: o detective Hercule  Poirot. Ler 'The Mysterious Affair at Styles' é conhecer um crime em pistas, conjurações e na amizade dos dois 'detectives' da história.

Hastings, o narrador, está de licença do exército britânico e aceita o convite do amigo John Cavendish para visitar a sua casa de família no Essex, Inglaterra. Uma morte choca família e convidados na casa dos Inglethorp, sendo Alfred, o marido da anfitriã, imediatamente dado como culpado por todos. Mas a chegada de Poirot ao local traz uma nova interpretação dos cenários e das personagens em torno do crime.

"- Well, I've always had a secret hankering to be a detective!
- The real thing - Scotland Yard? Or Sherlock Holmes?
- "Oh, Sherlock Holmes by all means. But really, seriously, I as awfully drawn to it. I came across a man in Belgium once, a very famous detective, and he quite inflamed me. He was a marvelous little fellow. He used to say that all good detective work was a mere matter of method."

Como o Watson de Sherlock Holmes, Hastings admira muito a genialidade de Poirot e a sua veia detectivesca dá-lhe a coragem e a confiança necessárias para ajudar o detective belga de bigode e aspecto roliço a revelar o verdadeiro culpado do homicídio. Na maior parte das vezes, a sua compreensão do raciocínio de Poirot é lenta e confusa, estando sempre um passo atrás da sua forma clara e certeira de pensar. E o leitor está sempre ao seu nível, sem saber exactamente em que pé está a descoberta de pistas, o que ajuda a manter o mistério em torno da revelação do assassino.

O conhecimento de Agatha Christie sobre os venenos e a sua capacidade de matar levam-na a introduzir este método como causa do homicídio nesta sua primeira obra policial. A 'Rainha do Crime' consegue envolver-nos com a sua escrita aparentemente simples, mas com uma profundidade que nos envolve inteiramente no mistério da história, na ambiguidade das suas personagens e na possibilidade de qualquer uma, mesmo a mais improvável, ser a culpada do crime.

Poirot é, desde estes seus primeiros momentos na imaginação de Agatha Christie e no seu surgimento no papel, uma personagem muito peculiar e fascinante. Se por um lado é apenas um refugiado de guerra vindo da Bélgica com um sotaque afrancesado e uma forma de falar inglês meio estranha, começa aos poucos a revelar a sua capacidade de juntar as pistas. É Hastings que nos diz, a certa altura, que apesar de se sentir sempre perdido, há método na loucura de Poirot - e não haverá melhor forma de o descrever: um louco com método, um génio com um certo grau de excentricidade.

"- The mind is confused? It is not so? Take time, mon ami. You are agitated; you are excited - it is but natural."

Esta edição conserva, para além do editado, o final original de Agatha Christie, com o mesmo culpado e a mesma história, mas descrito de forma diferente. O pedido do editor da autora para que rescrevesse o penúltimo capítulo oferecendo-lhe uma organização diferente mostra uma autora ainda em crescimento, que apesar de se ter tornado quase uma escritora por encomenda não deixou de ser sempre a mesma Agatha com ideias e uma grande capacidade de escrita.

Pode ser o seu primeiro livro policial, mas mostra já o potencial da futura rainha do crime e da sua personagem mais famosa, Poirot, de conquistarem muitos leitores por tudo o mundo - mesmo 100 anos depois do início de uma vida recheada de crimes, mistérios e sucessos.

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