quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol - Haruki Murakami

"Pousei as mãos no volante e fechei os olhos. Não tinha a sensação de estar dentro do meu próprio corpo; sentia o meu corpo como um recipiente transitório, temporariamente emprestado. Que seria de mim no dia de amanhã?"
'A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol', Haruki Murakami

'A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol' é um romance intensivo sobre a existência humana e o amor, que nos faz questionar a vida que levamos e o que conhecemos de nós mesmos. Haruki Murakami tem o condão de saber explorar o nosso interior e de contrastar o que fazemos, o que dizemos e o que sentimos de uma forma impressionante. Depois de 'Sputnik, Meu Amor', que não cativou por aí além, decidi dar-lhe uma segunda oportunidade. Não me arrependi.

Hajime é o narrador da sua própria história. É filho único, o que é raro nas famílias japonesas da altura, por isso trava mais facilmente amizade com uma rapariga também ela nessa situação. Com Shimamoto, Hajime partilha o interesse pela leitura e pela música e descobre na colega de escola uma pessoa fascinante. A vida afasta-os mas, à medida que vai crescendo e seguindo com a sua vida, Hajime continua a recordar a amiga de infância com saudade, pensando no que as suas vidas podiam ter sido se tivessem mantido o contacto. E um dia, muitos anos depois, na sua vida pacata, Shimamoto reaparece, envolta em mistério e trazendo consigo a recordação do passado. O reencontro ameaça e põe em risco a vida presente de Hajime.

Crítica completa no Espalha-Factos.



"Havia qualquer coisa na sua expressão que atraía toda a gente. Possuía uma sensualidade que se revelava capaz de – isto foi um pensamento que só me ocorreu mais tarde, naturalmente – ir tirando, docemente, uma a uma, as finas membranas que davam forma aos corações humanos."

"Tudo pessoas dispostas a gastar o seu dinheiro para se deslocarem até aqui só para beber um copo – e sabes porquê? Porque toda a gente, em maior ou menos grau, anda em busca da mesma coisa: um lugar imaginário, o seu próprio castelo no ar, um lugar que lhes garanta uma atmosfera de sonho e fantasia."

2 comentários:

  1. Parece ser um livro tocante e intenso. Gostei de sua resenha, fiquei com uma dúvida, este livro é o segundo volume de uma série, ou o livro do autor que você leu antes deste e se decepcionou um pouco é sobre outra história do mesmo? .
    Até mais, gostei muito de seu espaço.
    http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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    1. Olá! O que me decepcionou deste autor foi o 'Sputnik, Meu Amor' - não que não tenha gostado, mas não me marcou tanto. Achei este muito mais especial :)

      Obrigada pelo comentário e pela visita! Boas leituras*

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