sábado, 8 de fevereiro de 2014

A Bibliotecária de Auschwitz - Antonio G. Iturbe

"Era tão pequena que já quase não se lembra de como era o mundo quando não havia guerra. Tal com esconde os livros debaixo do vestido naquele lugar onde lhe roubaram tudo, assim guarda na cabeça um álbum de fotografias feito de recordações. Fecha os olhos e tenta lembrar-se de como era o mundo quando não existia o medo."
'A Bibliotecária de Auschwitz, Antonio G. Iturbe

O enigmático título abre caminho a uma narração misteriosa, cujas páginas se enchem de dor e sofrimento, mas também de coragem e esperança de sobreviver para contar a história. A Bibliotecária de Auschwitz é uma obra sobre o Holocausto, sobre um bloco particular onde a vida dita ‘normal’ parecia restabelecida e sobre uma mulherzinha que o jornalista espanhol Antonio G. Iturbe descobriu e quis dar a conhecer ao mundo. E ainda bem que o fez. E ainda bem que o conseguiu de uma maneira tão especial.

Dita é a bibliotecária de Auschwitz que dá nome ao livro. É apenas uma rapariguinha, checa, judia, que foi levada para o gueto de Terezín e dali para Auschwitz, onde os mais cientes questionam o porquê da existência de um campo familiar em que, para além do trabalho forçado e dos assassínios em massa nas câmaras de gás, se mantêm vivas mulheres e crianças. A jovem vive rodeada pelos pais, amigas e os SS que observam cada passo que dão; menos no Bloco 31, onde se juntam as crianças para as entreter durante o dia e onde Fredy Hirsch ergueu uma verdadeira escola. Contra todas as expectativas, existem até oito livros em papel, dos quais Dita se torna guardiã e distribuidora, recrutando igualmente ‘livros vivos’ para contarem histórias e ensinarem as crianças. Num campo onde o terror domina, a biblioteca clandestina, que para todos os efeitos nunca existiu, é uma forma de voar para bem longe daquela prisão.

Crítica completa no Espalha-Factos.


"Apercebeu-se com tristeza de que foi nesse dia, e não no da sua primeira menstruação, que abandonou a meninice, porque deixou de ter medo de esqueletos e de velhas histórias de fantasmas e começou a ter medo dos homens."

"E pensa em Hirsch e naquele seu eterno sorriso enigmático. E, de repente, tem uma revelação: o sorriso de Hirsch é a sua vitória. Aquele sorriso diz a quem está à sua frente: a mim não me vences. Num lugar como Auschwitz, onde tudo foi concebido para fazer chorar, o riso é um acto de rebeldia."

"Eles tinham um plano, mas nós usámos o nosso. Queriam um armazém de crianças para ali guardadas como lixo, mas nós abrimos uma escola. Queriam que fossem reses num estábulo, mas nós fizemo-las sentirem-se pessoas."

2 comentários:

  1. Um livro que está nos meus planos de leitura.

    Boas Leituras

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    1. E é uma bela leitura, Clarinda! Obrigada pela visita :)

      Boas leituras*

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