segunda-feira, 8 de julho de 2013

Le Prince de la Brume - Carlos Ruiz Zafón

"Loin des rires d'Alicia et de Roland, une profonde inquiétude l'envahit tout entier. Pour la première fois de sa vie, il sentait que le temps coulait plus vite qu'il ne pourrait plus se réfugier dans les rêves des années précédentes. La roue de la fortune avait commencé à tourner et, cette fois, ce n'était pas lui qui avait jeté les dés." 
'Le Prince de la Brume', Carlos Ruiz Zafón

É, agora até em francês leio livros. Foi o primeiro, uma pequena grande experiência que pode ser para repetir, com o mesmo autor espanhol que me conquistou com as primeiras linhas de 'A Sombra do Vento'. 'Le Prince de la Brume' é também uma história de mistério, aventura, romance, thriller e muita emoção que nos envolve de tal forma na teia de passado e presente que queremos sempre saber o que vem a seguir.

Max e Alicia são dois irmãos cuja família se muda para uma casa de praia em 1943, com a ameaça da guerra. A casa parece ter algo de assombrado e as tragédias começam a ocorrer, após a descoberta de um jardim escondido, com estátuas de pedra que nem sempre estão na mesma posição. Entretanto surge Roland, um jovem que vive com o avô 'emprestado' no farol da terra e lhes abre as portas para esta aventura.

Zafón tem sempre esta capacidade de nos cativar através da aventura, que se torna também a nossa demanda por um final feliz, pela resolução de tudo. No fundo, pela descoberta de todos os mistérios, sem necessariamente ser tudo explicado, porque há coisas que não precisam de ser explicadas. A magia e o toque de ficção científica nunca são exagerados; há sempre uma pitada certeira de sonho e fantasia que, aliada à escrita acessível, bem construída, bem disposta, simples e directa, nos faz chorar por mais.

Passado e presente misturam-se entre personagens que já viveram muito e têm tantas histórias para contar, e outras que, aos 13 anos, já se aventuram pelo mundo dos adultos e vêem coisas que mais ninguém vê, mas que precisavam de ser vistas. Max, como Alicia, tem medo, mas deixa-se levar pela ânsia de descobrir a verdade, de desvendar o passado para perceber o presente.

E, por muito cliché que por vezes pareça - e seja, de facto -, e por muito distante que esteja da minha all time favourite obra prima 'A Sombra do Vento', Zafón nunca desilude. Podia dizer mal do final esperado, da forma lenta como tudo acontece... mas a genialidade com que somos confrontados ao longo de toda a obra não mo permite. Às vezes o belo submete-se ao necessário. 'Le Prince de la Brume' tem este carácter, sem deixar de ser absolutamente despido de magia, e como obra de Zafón que é merece ser lido. Em que língua for.

3 comentários:

  1. Eu adoro Zafón e tenho acompanhado a sua obra, mas este desiludiu-me um pouco. Penso que tem a ver com o facto de ser uma obra mais 'fantástica' quando comparada com a saga que teve início n'A Sombra do Vento. Parece-me que este é dirigido a uma camada mais jovem de leitores, o que não deixa de ser uma óptima iniciação ao autor.
    O meu preferido até agora foi o Prisioneiro do Céu, embora qualquer um deles seja fabuloso.
    Boas leituras!

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    1. Concordo com isso, aliás, para mim nenhum dos que li dele bate A Sombra do Vento :) é do mais maravilhoso.

      Obrigada pelo comentário e pela visita aqui ao meu cantinho!

      Boas leituras*

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