sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Leituras de Natal

É tempo de pôr as leituras em dia, apesar de haver outras responsabilidades. Apetece lê-los todos de uma assentada, acabar os que tínhamos deixado a meio e começar logo a pensar nos seguintes que queremos ler. Há tempo para tudo! O meu Natal foi isso mesmo - e ainda o está a ser. Aventura: ler 'Contos de Natal', de Charles Dickens, em dois ou três dias (os dias de Natal, vá). Challenge accepted and completed!

'Contos de Natal' inclui a conhecida história de Scrooge, 'Um Conto de Natal', e ainda 'Os Carrilhões' e 'Um Grilo na Lareira'. São três contos maravilhosos sobre a sociedade da época, sobre o amor e a amizade, a importância da riqueza e da família nas nossas vidas, um pouco à semelhança de toda a escrita de Dickens. Tudo isto acompanhado pela visualização da adaptação televisiva de 'Grandes Esperanças' e foi uma semana agradavelmente natalícia e dickensiana, na companhia das suas belas histórias. 

Enquanto 'Um Conto de Natal' me fez pensar, novamente, que é tudo menos uma história para crianças e que o Natal não é uma época, mas sim um estado de espírito (e quanto mais permanente, melhor), 'Os Carrilhões' mostra que nem sempre o que nos parece, é, e que às vezes temos o poder de mudar as coisas (ou não). Já 'Um Grilo na Lareira', mais leve e banal, acaba por ser a que mais próxima está de nós - e que inclui um bocadinho de tudo o que vimos nas outras duas: a mesma paixão, a mesma dor, as mesmas questões sociais.

Acabar livros que deixámos a meio, pois bem. 'Um Homem não Chora' estava à espera da minha leitura para aí desde setembro ou outubro - a vida não tem sido fácil. Mas soube bem voltar a pegar nesta obra de Luís de Sttau Monteiro, achá-la ainda mais parecida com a escrita humorística de Mário Zambujal, e descobrir uma outra história no final do livro, 'Pôr-do-sol no Areeiro', que desconhecia por completo. Às vezes as coisas simples são as que mais têm o poder de nos tocar, e esta história triste, honesta, dolorosa de um homem infeliz, que já não ama a esposa e quer separar-se dela a todo o custo, não podia ser mais simplesmente pesada. 

Ele come passas porque a vida dele é isso, ir vivendo aos poucos, sem dar grande importância às pessoas e às coisas que vão e vêm. Mas Fernanda está ao seu lado e chega uma altura em que manter as aparências já não é suficiente, já dói demasiado. O que fazer quando não há solução para melhorar ou piorar de vez os problemas de um casal? Bem escrito, tocante, com diálogos inteligentes e um humor por vezes negro que cativa qualquer um. Há ali um estilo próprio a desabrochar e que, na história seguinte, atinge o seu esplendor na plenitude do humor simples mas inteligente que se desenrola na história de um vendedor de automóveis que seduz uma mulher rica e casada para concretizar um negócio - e de todas as pequenas estórias que se desenrolam à sua volta.

Um Natal relativamente produtivo, portanto. Com bons livros na cabeceira :)
(e uma estante que já não tem espaço para mais...)

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