sábado, 21 de julho de 2012

As palavras de Dorian Gray


‎"Exercer influência sobre um homem qualquer é dar-lhe a nossa própria alma. Ele não pensa com o seu próprio pensamento, nem arde com as suas paixões naturais. As suas virtudes não são para ele reais. O seus pecados, se é que são pecados, são emprestados. Torna-se eco da música alheia, actor de um papel que não foi escrito para ele."

"Quando os nossos olhos de encontraram, senti-me empalidecer. Empolgou-me uma curiosa sensação de terror. Eu sabia que se me deparara alguém cuja mera personalidade me fascinava a tal ponto que, se eu o permitisse, absorveria toda a minha natureza, toda a minha alma, a minha própria arte."

"Consciência e cobardia são, na realidade, uma e a mesma coisa, Basil. A consciência é o nome da firma."

"Sim, senhor Gray, os deuses foram-lhe propícios. Mas o que os deuses dão, depressa o tiram. Tem apenas alguns anos para viver real, perfeita e plenamente. Quando passar a sua mocidade, segui-la-á a sua beleza, e depois descobrirá de repente que não lhe resta mais triunfo algum, ou terá de se contentar com esses mesquinhos triunfos que a recordação do seu passado tornará mais amargos do que derrotas."





"Que tristeza! Hei-de tornar-me medonho e horrível! Este retrato, porém, há-de ficar sempre jovem. Nunca será mais velho do que neste magnífico dia de Junho... Se fosse o contrário!... Se fosse eu que ficasse sempre jovem e o retrato que envelhecesse!... Para isso... para isso... daria tudo! Sim, nada há no mundo que eu não desse! Até a minha alma daria!"

"Que importa o lapso de tempo na realidade decorrido? Só as pessoas banais é que necessitam de anos para se libertarem de uma emoção. Um homem que é senhor de si pode pôr termo a uma mágoa com a mesma facilidade com que inventa um prazer. Eu não quero estar à mercê das minhas emoções. Quero utilizá-las para as desfrutar, para as dominar."

"Sim, devia haver, como profetizara Lorde Henry, um novo hedonismo, que tornasse a criar a vida e a salvasse desse grosseiro e indecoroso puritanismo, a cujo curioso renascimento estamos hoje a assistir. A inteligência tinha aí, sem dúvida, um papel a exercer; contudo, nunca se devia aceitar teoria alguma, sistema algum, que envolvesse o sacrifício de qualquer modalidade da experiência passional. O seu objectivo, com efeito, era ser a própria experiência, e não os frutos da experiência, por mais doces ou amargos que eles fossem. Repudiaria o ascetismo, que atrofia e mata os sentidos, e a devassidão vulgar, que os embota. Mas ensinaria o homem a concentrar-se nos momentos de uma vida que é, ela própria, um momento apenas."

----> Um dos livros mais geniais que já li em toda a minha vida. Merecia aqui um destaque, apesar de já o ter lido há algum tempo. Muito mais do que o retrato de Dorian Gray, as palavras dele, de Lorde Henry, de Basil, de Oscar Wilde, por fim. Tão belo, tão bom.

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